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sexta-feira, 26 de novembro de 2010

A clínica psicanalítica das psicopatologias contemporâneas




A clínica psicanalítica das psicopatologias contemporâneas

Gley P. Costa & Cols.


Formato: 16x23
N. de páginas: 272

A histeria e como ela se apresenta na atualidade é tema dos estudos de caso de um dos mais consagrados autores brasileiros na área da psicanálise, Dr. Gley P. Costa, e está descrito no livro “A clínica psicanalítica das psicopatologias contemporâneas”, lançamento da editora gaúcha Artmed.

A obra aborda "novos" transtornos, lado a lado com pesquisas e teorias psicanalíticas. Para ilustrar a abordagem, o médico traz casos clínicos comentados, em uma linguagem dinâmica e agradável. Como o estudo denominado “a homossexualidade sonhada” sobre sonhos de pacientes histéricas, os quais revelam a existência de uma corrente psíquica homossexual particularmente forte, que decorre de uma fixação na fase negativa do complexo de Édipo.
Nos 13 capítulos do livro, o autor e colaboradores destacam distintas psicopatologias. “Um dos estudos fala sobre os pacientes que, diferentemente dos neuróticos, psicóticos e perversos, carecem de uma vida simbólica, decorrente de uma fixação a uma etapa do desenvolvimento em que o aparelho mental da criança depende da intermediação de um ambiente empático para responder aos estímulos internos e externos”, explica Gley.
Preço: R$ 58,00
Quem é Gley P. Costa
É médico Psiquiatra e Psicanalista. Membro fundador da Sociedade Brasileira de Psicanálise de Porto Alegre. Membro titular da Federação Brasileira de Psicanálise. Membro titular da Federação Psicanalítica da América Latina. Membro titular da Associação Psicanalítica Internacional. Fundador e professor da Fundação Universitária Mário Martins (FUMM), Porto Alegre/RS.


Sobre a Artmed Editora
A Artmed Editora é responsável pela publicação, em português, de livros acadêmicos e profissionais nas áreas de ciências biológicas e ciências humanas, por meio do selo Artmed, e nas áreas de ciências exatas e ciências sociais aplicadas, com o selo Bookman. Atualmente possui cerca de 1.300 títulos em catálogo com conteúdo referendado pelos mais renomados autores brasileiros e internacionais, respeitando o mais alto padrão de qualidade editorial. A empresa mantém parcerias com os mais renomados grupos editorias internacionais e com as mais importantes instituições cientificas brasileiras. Sediada em Porto Alegre, a distribuição ágil e competente das publicações da Artmed em todo o território brasileiro e em Portugal é garantida por uma ampla rede de filiais e de representantes/operadores logísticos em quase todas as regiões do país, inclusive nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Paraná, Ceará e Distrito Federal.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

ESTRESSE


O termo estresse denota o estado gerado pela percepção de estímulos que provocam excitação emocional e, ao perturbarem a homeostasia, disparam um processo de adaptação caracterizado, entre outras alterações, pelo aumento de secreção de adrenalina produzindo diversas manifestações sistêmicas, com distúrbios fisiológico e psicológico. O termo estressor por sua vez define o evento ou estímulo que provoca ou conduz ao estresse.

A resposta ao estresse é resultado da interação entre as características da pessoa e as demandas do meio, ou seja, as discrepâncias entre o meio externo e interno e a percepção do indivíduo quanto a sua capacidade de resposta. Esta resposta ao estressor compreende aspectos cognitivos, comportamentais e fisiológicos, visando a propiciar uma melhor percepção da situação e de suas demandas, assim como um processamento mais rápido da informação disponível, possibilitando uma busca de soluções, selecionando condutas adequadas e preparando o organismo para agir de maneira rápida e vigorosa. A sobreposição destes três níveis (fisiológico, cognitivo e comportamental) é eficaz até certo limite, o qual uma vez ultrapassado, poderá desencadear um efeito desorganizador. Assim, diferentes situações estressoras ocorrem ao longo dos anos, e as respostas a elas variam entre os indivíduos na sua forma de apresentação, podendo ocorrer manifestações psicopatológicas diversas como sintomas inespecíficos de depressão ou ansiedade, ou transtornos psiquiátricos.

ESTRESSORES

As situações ambientais podem ser provocadoras de estresse e agrupadas como: acontecimentos vitais (life-events), acontecimentos diários menores e situações de tensão crônica. Os chamados life-events, estudados pela primeira vez por Holmes e Rahe em 1967, têm sido um grande foco da epidemiologia psiquiátrica nas últimas décadas. Na literatura, os life-events têm sido nomeados como acontecimentos vitais, eventos de vida, eventos estressores ou eventos de vida negativos. Os eventos de vida estressores têm sido diferenciados em dependentes e independentes. Os dependentes apresentam a participação do sujeito, ou seja, dependem da forma como o sujeito se coloca nas relações interpessoais, como se relaciona com o meio, onde seu comportamento provoca situações desfavoráveis para si mesmo. Os eventos de vida estressores independentes são aqueles que estão além do controle do sujeito, independem de sua participação, sendo inevitáveis, como por exemplo, a morte de um familiar ou a saída de um filho de casa como parte do ciclo vital de desenvolvimento.

Há de se fazer ainda distinção entre evento traumático e evento de vida estressor. O evento traumático é aquele em que, uma vez a ele exposto, o sujeito poderá sofrer conseqüências psíquicas por um tempo longo, podendo chegar a décadas, mesmo após seu afastamento do mesmo. O evento traumático grave inclui aspectos relacionados ao comprometimento da integridade física do próprio indivíduo ou de outrem. O evento de vida estressor, por outro lado, é aquele que, embora possa dar origem a efeitos psicológicos sob a forma de sintomas e desadaptação, uma vez removido, tende a acarretar uma diminuição do quadro psicopatológico por ele provocado.

Mudanças importantes na vida, como iniciar um novo emprego, casar-se ou separar-se, o nascimento de um filho, sofrer um acidente, podem gerar resposta de estresse nos indivíduos a elas expostos. Avaliar a ocorrência destes eventos pode ser uma forma de tomar conhecimento da freqüência com que determinada pessoa desencadeia uma resposta de estresse.

Além dos eventos de vida estressores, os denominados acontecimentos diários menores, que podem ser vivenciados em diversas situações cotidianas, como perder coisas, esperar em filas, ouvir o som do despertador ou o barulho provocado por vizinhos, também são provocadores de resposta de estresse. Muitas vezes estes acontecimentos diários menores, quando freqüentes, geram resposta de estresse com efeitos psicológicos e biológicos negativos mais importantes do que eventos de vida estressores de menor freqüência. Salienta-se, então, a importância destes eventos menores, porém freqüentes, que para alguns indivíduos são provocadores de grande desconforto psíquico.

O terceiro grupo de situações ambientais provocadoras de estresse corresponde às situações de tensão crônica que geram estresse relativamente intenso e que persistem ao longo do tempo, como por exemplo, um relacionamento conjugal perturbado (com agressões verbais e físicas ao longo de anos), gerando importantes efeitos psicopatológicos.

RESPOSTA AO ESTRESSE

A resposta ao estresse depende, em grande medida, da forma como o indivíduo filtra e processa a informação e sua avaliação sobre as situações ou estímulos a serem considerados como relevantes, agradáveis, aterrorizantes, etc. Esta avaliação determina o modo de responder diante da situação estressora e a forma como o mesmo será afetado pelo estresse.

No nível cognitivo, podemos então distinguir quatro componentes:

· 1.avaliação inicial automática da situação ou estímulo, também conhecida como reação afetiva, em que o sujeito avalia inicialmente o potencial de ameaça para si. Esta avaliação global afetiva determina um padrão de respostas do tipo defesa ou conferência e orientação. Quando a situação ou estímulo é percebido como ameaçador, então uma resposta de defesa é ativada. Porém, se a avaliação for de não ameaça, a resposta de conferência e orientação é a escolhida, e o sujeito se prepara para recolher mais informações. As respostas de conferência e orientação ou de defesa irão provocar diferentes respostas fisiológicas;

· 2. avaliação da demanda da situação ou avaliação primária, em que o sujeito avalia a situação estressora, não por seu significado intrínseco, mas de acordo com sua história pessoal e seu aprendizado e experiências prévias. Nesta fase, o relevante é como o sujeito vivencia a situação de estresse;

· 3. avaliação das capacidades para lidar com a situação estressora ou avaliação secundária, quando o sujeito avalia a situação em relação às suas capacidades e recursos de enfrentamento para manejá-la e;

· 4. organização da ação ou seleção da resposta, a partir das avaliações anteriormente descritas, em que o sujeito elabora suas respostas às demandas percebidas

As respostas podem ser específicas para a situação alvo ou gerais, ou pode ainda não haver resposta disponível para o sujeito que então decidirá entre arriscar uma nova resposta ou suportar passivamente a situação estressora. Os recursos comportamentais e fisiológicos a serem mobilizados dependem, em grande medida, desta escolha.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

FOBIA


Fobia é um medo e temor intenso, repetitivo de um ser (animado ou inanimado), de uma situação ou uma idéia, porém que objetivamente não se constitui em uma fonte real de perigo.

Em geral, o paciente fóbico reconhece que seu medo não é real, percebe como irracional, mas sente-se impulsionado a evitar o contato com o objeto fóbico e é invadido por um acesso de ansiedade com forte manifestações físicas.

É comum o paciente desenvolver respostas fisiológicas diante destes pensamentos e da ansiedade desencadeando taquicardia, sudorese, tremores, falta de ar, variação da pressão e outros sintomas que fazem aumentar ainda mais seus temores podendo progredir para uma sindrome.

Há inúmeros tipos de fobias entre as mais citadas e identificadas temos:

Agorafobia que corresponde ao medo de lugares abertos ou de não se sentir capaz de sair de situações que lhe provoquem medo e insegurança. A pessoa acha que se algo acontecer a ela numa determinada situação, ninguém irá poder ajudá-la, com isso evita sair e ficar exposta.

Acrofobia: é um medo irracional de alturas na qual a pessoa evita locais próximo de janelas, prédios de apartamentos, parapeitos, escadas, etc.

Claustrofobia: medo de locais apertados e estreitos ou de locais fechados com pouco ar, muito comum o medo de elevadores e salas com portas fechadas ou espacços sem janelas.

Nosofobia: é um medo irracional de adquirir doenças ou de achar que está sujeita a contágios de doenças infecciosas pelo simples contato com o ar ou com ambientes hospitalares e clinicas

Zoofobia: medo de animais como gatos cachorros, cavalos e mesmo outros pequenos animais e pássaros.

A Síndrome de Burnout em Professores



A burnout de professores é conhecida como uma exaustão física e emocional que começa com um sentimento de desconforto e pouco a pouco aumenta à medida que a vontade de lecionar gradualmente diminui. Sintomaticamente, a burnout geralmente se reconhece pela ausência de alguns fatores motivacionais: energia, alegria, entusiasmo, satisfação, interesse, vontade, sonhos para a vida, idéias, concentração, autoconfiança e humor.

Um estudo feito entre professores que decidiram não retomar os postos nas salas de aula no início do ano escolar na Virgínia, Estados Unidos, revelou que entre as grandes causas de estresse estava a falta de recursos, a falta de tempo, reuniões em excesso, número muito grande de alunos por sala de aula, falta de assistência, falta de apoio e pais hostis. Em uma outra pesquisa, 244 professores de alunos com comportamento irregular ou indisciplinado foram instanciados a determinar como o estresse no trabalho afetava as suas vidas. Estas são, em ordem decrescente, as causas de estresses nesses professores:

  • Políticas inadequadas da escola para casos de indisciplina;
  • Atitude e comportamento dos administradores;
  • Avaliação dos administradores e supervisores;
  • Atitude e comportamento de outros professores e profissionais;
  • Carga de trabalho excessiva;
  • Oportunidades de carreira pouco interessantes;
  • Baixo status da profissão de professor;
  • Falta de reconhecimento por uma boa aula ou por estar ensinando bem;
  • Alunos barulhentos;
  • Lidar com os pais.

Os efeitos do estresse são identificados, na pesquisa, como:

  • Sentimento de exaustão;
  • Sentimento de frustração;
  • Sentimento de incapacidade;
  • Carregar o estresse para casa;
  • Sentir-se culpado por não fazer o bastante;
  • Irritabilidade.

As estratégias utilizadas pelos professores, segundo a pesquisa, para lidar com o estresse são:

  • Realizar atividades de relaxamento;
  • Organizar o tempo e decidir quais são as prioridades;
  • Manter uma dieta balanceada e fazer exercícios;
  • Discutir os problemas com colegas de profissão;
  • Tirar o dia de folga;
  • Procurar ajuda profissional na medicina convencional ou terapias alternativas.

Quando perguntados sobre o que poderia ser feito para ajudar a diminuir o estresse, as estratégias mais mencionadas foram:

  • Dar tempo aos professores para que eles colaborem ou conversem;
  • Prover os professores com cursos e workshops;
  • Fazer mais elogios aos professores, reforçar suas práticas e respeitar seu trabalho;
  • Dar mais assistência;
  • Prover os professores com mais oportunidades para saber mais sobre alunos com comportamentos irregulares e também sobre as opções de programa para o curso;
  • Envolver os professores nas tomadas de decisão da escola e melhorar a comunicação com a escola.

Como se pode ver, o burnout de professores relaciona-se estreitamente com as condições desmotivadoras no trabalho, o que afeta, na maioria dos casos, o desempenho do profissional. A ausência de fatores motivacionais acarreta o estresse profissional, fazendo com que o profissional largue seu emprego, ou, quando nele se mantém, trabalhe sem muito esmero.

REFERENCIA: pt.wikipedia.org/wiki/Síndrome_de_Burnout

Síndrome de Burnout



O conceito de Burnout surgiu nos Estados Unidos em meados dos anos 70, para dar explicação ao processo de deterioração nos cuidados e atenção profissional nos trabalhadores de organizações. Ao longo dos anos esta síndrome de “queimar-se” tem se estabelecido como uma resposta ao estresse laboral crônico integrado, por atitudes e sentimentos negativos.

Não existe uma definição unânime sobre esta síndrome, existe um consenso em considerar que aparece no indivíduo como uma resposta ao estresse laboral. Trata-se de uma experiência subjetiva interna que agrupa sentimentos e atitudes e que tem um semblante negativo para o indivíduo, dado que implica alterações, problemas e disfunções psicofisiológicas com conseqüências nocivas para a pessoa e para a organização.

Freudenberger (1974), afirma que o Burnout é resultado de esgotamento, decepção e perda de interesse pela atividade de trabalho que surge nas profissões que trabalham em contato direto com pessoas em prestação de serviço como conseqüência desse contato diário no seu trabalho. Amorim et. al. (1998) acrescentam ainda, que alguns pesquisadores realizaram propostas de delimitação conceitual e assim estabeleceram procedimentos e critérios para o diagnóstico diferencial. Pines; Aronson e Kafry (1981), correlacionam a fadiga emocional, física e mental, sentimentos de impotência e inutilidade, falta de entusiasmo pelo trabalho, pela vida em geral e baixa auto-estima a estados que combinam esta síndrome. Na definição de Maslach e Jackson (1981), encontramos o esgotamento nervoso e despersonalização, onde o primeiro pode ser entendido pela situação que os trabalhadores sentem quando já não podem dar mais de si mesmo afetivamente, é uma situação de esgotamento da energia dos recursos emocionais próprios, uma experiência de estar emocionalmente esgotado, devido ao contato diário mantido com pessoas que hão de atender como objeto de trabalho. A despersonalização pode ser definida como o desenvolvimento de sentimentos e atitudes negativos e cinismo para as pessoas destinatárias do trabalho. Estas pessoas são vistas por profissionais de forma desumanizada, rotuladas negativamente, devido a um endurecimento afetivo e os profissionais ainda os responsabilizam de seus problemas. Maslach e Jackson (1981) afirmavam que Burnout estava estritamente ligado a profissionais de saúde, que perdiam então, o interesse, empatia e o próprio respeito por seus pacientes.

A falta de realização pessoal no trabalho constitui-se como a tendência desses profissionais a avaliar-se negativamente e, de forma especial, essa avaliação negativa afeta a habilidade na realização do trabalho e a relação com as pessoas que atendem. Os trabalhadores sentem-se descontentes consigo mesmos e insatisfeitos com seus resultados no trabalho.

Amorim e Turbay (1998), afirmam que a síndrome de Burnout é uma experiência subjetiva, que agrupa sentimentos e atitudes implicando alterações, problemas e disfunções psicofisiológicas com conseqüências nocivas para a pessoa e a organização, sendo que esta afeta diretamente a qualidade de vida do indivíduo. Por isso, é necessário um estudo também filosófico onde se explicita a natureza humana e, principalmente, as dinâmicas interpessoais que possam interferir no desempenho e produtividade no trabalho.

Em um nível organizacional, algumas profissões se caracterizam por desenvolver um trabalho em organizações que respondam ao esquema de uma burocracia profissionalizada. Segundo Mintzberg (1988), este tipo de organização conta para sua coordenação uma padronização das habilidades de seus membros. Contrata profissionais preparados e treinados para a realização das tarefas e lhes concede um controle considerável sobre seu próprio trabalho. Além disso, estes profissionais trabalham com certa independência com respeito aos seus colegas e estreitamente vinculados a seus clientes.

Golembiewski e Doly (apud González, 1995), acrescentam que desde a Teoria das Organizações, Burnout é entendido como conseqüência de um desajuste entre as necessidades do trabalhador e dos interesses da empresa.

Gil-Monte e Peiró (1996), afirmam que este tipo de organização tem embasado seu funcionamento na padronização de comportamentos e procedimento logrados mediante a profissionalização ou socialização dos membros. Um dos processos chave de funcionamento é o processo de diagnóstico de classificação da situação que permite determinar o conjunto de habilidades relevantes e das técnicas atualizadas para resolver o problema do usuário. Também apresentam estruturas muito descentralizadas, tanto horizontal como verticalmente, e um boa parte do poder permanece nos profissionais, que são os que devem resolver os problemas concretos das pessoas que atendem. Isto faz com que possam controlar uma grande parte das decisões relacionadas com seu próprio trabalho.

Para Mintzberg (1988), as burocracias profissionalizadas requerem uma série de condições no ambiente e no clima organizacional para ser funcional. Assim, o ambiente em que esta imersa a organização deve ser estável, para permitir que as habilidades e procedimentos possam ser padronizados.

Por outro lado, os conhecimentos nos quais se baseia a organização, são complexos, a organização perde seu caráter de burocracia profissionalizada, determinado por um serviço de atenção personalizada ao usuário. Com respeito ao poder e a hierarquia, estas organizações requerem uma distribuição democrática do poder, de forma que o próprio profissional exerça o controle sobre seu trabalho e as decisões que o afetam.

Uma variável importante neste nível é a socialização laboral, Peiró (1986), sugere que esta é o processo por meio do qual o novo membro aprende a escala de valores, as normas e as pautas de conduta exigida pela organização a que se incorpora”. Em diferentes trabalhos se tem indicado que a síndrome de Burnout se contagia entre os profissionais, através de mecanismos de modelo e aprendizagem por observação durante os processos de socialização laboral.

No plano das relações interpessoais, quando estas são tensas, conflitivas e prolongadas, tem-se a tendência de aumentar os sentimento de Burnout. Assim, mesmo a falta de apoio no trabalho por parte dos companheiros e supervisores, da direção, ou da administração da organização, a excessiva identificação do profissional com o usuário, e os conflitos interpessoais com as pessoas que se atende ou seus familiares, são fenômenos característicos destas profissões que aumentam também os sentimentos de “queimar-se”.

Quanto ao indivíduo, as características de personalidade serão uma decisão a considerar em relação à intensidade e freqüência de sentimentos de altruísmo e idealismo acentuados pela forma em que uma parte importante destes profissionais aborda sua profissão poderiam facilitar o processo de “queimar-se” (Edelwich e Brodsky, 1980). Esse idealismo e sentimentos altruístas levam os profissionais a implicar-se excessivamente nos problemas dos usuários e convertem em uma direção pessoal para solução dos problemas. O próprio indivíduo tolera que se sinta culpado das falhas, tanto próprias como alheias, o qual resultará em baixos sentimentos de realização pessoal no trabalho.

Como se pode perceber, em uma perspectiva psicossocial, Burnout tem-se definido como uma síndrome cujos sintomas são sentimentos de esgotamento emocional, despersonalização e baixa realização pessoal no trabalho. Estes sintomas podem desenvolver-se naqueles sujeitos cujo objeto de trabalho são pessoas em qualquer tipo de atividade. No entanto, deve ser entendida como uma resposta ao estresse laboral que aparece quando falham as estratégias funcionais de enfrentamento que o sujeito pode empregar e se comporta como variável mediadora entre o estresse percebido e suas conseqüências. Esse enfrentamento é definido por França e Rodrigues (1997), como sendo o “ conjunto de esforços que uma pessoa desenvolve para manejar ou lidar com as solicitações externas ou internas, que são avaliadas por ela como excessivas ou acima de suas possibilidades”. Assim, esta síndrome é considerada um passo intermediário na relação estresse-conseqüências do estresse de forma que, se permanece durante um longo tempo, o estresse laboral terá conseqüências nocivas para o indivíduo, sob a forma de enfermidade, falta de saúde com alterações psicossomáticas (alterações cardiorespiratórias, gastrite e úlcera, dificuldade para dormir, náuseas) e para organização (deterioração do rendimento ou da qualidade de trabalho).

Delvaux, citado por França e Rodrigues (1997), caracteriza o Burnout emocional da seguinte forma:

· Exaustão emocional - ocorre quando a pessoa percebe nela mesmo a impressão de que não dispõe de recursos suficientes para dar aos outros. Surgem sintomas de cansaço, irritabilidade, propensão a acidentes, sinais de depressão, sinais de ansiedade, uso abusivo de álcool, cigarros ou outras drogas, surgimento de doenças, principalmente daquelas denominadas de adaptação ou psicossomáticas.

· Despersonalização - corresponde ao desenvolvimento por parte do profissional de atitudes negativas e insensíveis em relação às pessoas com as quais trabalha tratando-as como objetos.

· Diminuição da realização e produtividade profissional - geralmente conduz a uma avaliação negativa e baixa de si mesmo.

· Depressão - sensação de ausência de prazer de viver, de tristeza que afeta os pensamentos, sentimentos e o comportamento social. Estas podem ser breves, moderadas ou até graves.

O modelo conceitual para Garcia Montalvo e Garcés De Los Fayos (1996) resume o aparecimento de Burnout nas três dimensões: esgotamento emocional, despersonalização e baixa auto-estima.

Para Lautert (1997), a instalação da Síndrome de Burnout ocorre de maneira lenta e gradual, acometendo o indivíduo progressivamente. Alvarez Galego e Fernandez Rios (1991), distinguem três momentos para a manifestação da síndrome. Num primeiro momento, as demandas de trabalho são maiores que os recursos materiais e humanos, o que gera um estresse laboral no indivíduo. Neste momento, o que é característico é a percepção de uma sobrecarga de trabalho, tanto qualitativa quanto quantitativa. No segundo momento, evidencia-se um esforço do indivíduo em adaptar-se e produzir uma resposta emocional ao desajuste percebido. Aparecem então, sinais de fadiga, tensão, irritabilidade e até mesmo, ansiedade. Assim, essa etapa, exige uma adaptação psicológica do sujeito, a qual reflete no seu trabalho, reduzindo o seu interesse e a responsabilidade pela sua função. E, finalmente, num terceiro momento, ocorre o enfrentamento defensivo, ou seja, o sujeito produz uma troca de atitudes e condutas com a finalidade de defender-se das tensões experimentadas, ocasionado comportamentos de distanciamento emocional, retirada, cinismo e rigidez.

No entanto, é preciso considerar a síndrome como processo, esses momentos não se estabelecem de forma clara e distinta entre uma etapa ou outra, ou de um momento ao outro. Até mesmo Delgado et al. (1993) citam alguns autores, como Belcastro, Gold e Hays (1983), para os quais não é possível determinar, com exatidão, nem a seqüência, nem os correlatos das diferentes fases implicadas no desenvolvimento desta síndrome.

Enquanto Gil-Monte (1993) considera que, no primeiro momento, o indivíduo percebe a evidência de uma tensão, o stress. No segundo momento, aparecem sintomas de fadiga e esgotamento emocional, concomitantemente a um aumento do nível de ansiedade e, finalmente, o indivíduo desenvolve estratégias de defesa, que utiliza de maneira constante. Essas estratégias consistem em mudanças de atitudes e comportamentos que incluem indiferença e distanciamento emocional do trabalho.

Em se tratando de formas de prevenção de Burnout, França e Rodrigues (1997) acrescentam: a) aumentar a variedade de rotinas, para evitar a monotonia; b) prevenir o excesso de horas extras; c) dar melhor suporte social às pessoas; d) melhorar as condições sociais e físicas de trabalho; e e) investir no aperfeiçoamento profissional e pessoal dos trabalhadores.

Já Phillips (1984) diz que a primeira medida para evitar a síndrome de Burnout é conhecer suas manifestações. Existem, porém, outras formas de prevenção e que podem ser agrupadas em três categorias: estratégias individuais, estratégias grupais e estratégicas organizacionais.

As estratégias individuais referem-se à formação e capacitação profissional, ou seja, tornar-se sempre competente no trabalho, estabelecer parâmetros, objetivos, participar de programas de combate ao stress, entre outros. As estratégias grupais consistem em buscar o apoio grupal (Shinn e Morch, 1983) e finalmente as estratégias organizacionais referem-se em relacionar as estratégias individuais e grupais para que estas sejam eficazes no contexto organizacional.

Aguayo (1997), ao tratar da síndrome de Burnout em professores, relaciona seu aparecimento a uma pressão intensa e constante no trabalho, e acrescenta como medidas de prevenção, um programa preventivo baseado em grupos de apoios entre profissionais para se discutir temas relacionados, como também recomendações tais como exercícios físicos, dietas, manejo de estresse e promoção da saúde (Lowenstein, 1991).

A partir de um estudo dos principais instrumentos de medida, Garcés De Los Fayos, López-Soler e Garcia Montalvo (1994), concluíram:

· a evolução da síndrome ocupa um dos lugares mais importantes dentro de trabalhos onde se relacionam com outras pessoas;

· há dez anos o Inventário de Burnout de Maslach e Jakson destaca-se como instrumento mais eficaz;

· o esgotamento emocional é a dimensão mais consistente e melhor definida dentro dos quadros observados; e

· na Espanha, os trabalhos de García Izquierdo a respeito da escala de “Efectos Psíquicos del Burnout”, estão obtendo resultados satisfatórios, assim como as contribuições de Moreno e cols. são relevantes dentro deste contexto.

De fato, existe outros instrumentos de medidas, e dentre eles, citaremos àqueles abordados por Garcés De Los Fayos, López-Soler e Garcia Montalvo (1994): Staff Burnout Scale; Indicadores del Burnout; Emener-Luck Burnout Scale; Tedium Measureees (Burnout Measure); Maslach Burnour Inventory; Burnout Scale; Teacher Burnout Scale; Energy Depletion Index; Mattews Burnout Scale for Employess; Efectos Psiquícos del Burnour; Escala de Variables Predictoras del Burnout; Cuestionario de Burnout del Professorado; Holland Burnout Assesment Survey; Rome Burnout Inventory.

No entanto, ao se utilizar os instrumentos é necessário levar em consideração a cultura da instituição ou, se possível, realizar uma avaliação psicológica da Organização para entender os determinantes e funcionamentos, que são referências importantes para a análise dos resultados obtidos, independente do instrumento utilizado para coletá-los.

Como ficou expressado, Burnout é um desgaste, tanto físico como mental, em que o indivíduo pode tornar-se exausto, em função de um excessivo esforço que faz para responder às constantes solicitações de energia, força ou recursos, afetando diretamente a qualidade de vida do indivíduo e, conseqüentemente, do trabalho.

REFERENCIA:

http://www2.uel.br/ccb/psicologia/revista/textov2n15.htm

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

LIMITES


Á fim de entendermos o que é limites e como ele se processa na criança necessita compreender o funcionamento da dinâmica familiar, que está presente em todos os momentos vividos pela família.

Entende-se que cada ação de um membro da família interfere sobre a ação dos outros membros envolvidos. Desta maneira, nenhuma característica do individuo está isolada. Pode-se dizer que toda característica do sujeito esta diretamente relacionada ao comportamento de seus familiares e também atravessada pelos demais contextos sociais.

O que é LIMITES?

Limites são regras ou normas de conduta e estão presentes nos mais diversos contextos sociais. São os limites que nos dão a dimensão de como agir em determinada situação, de forma que haja respeito pelo outro e o convívio social torna-se possível e constituinte de transformações.

Desta forma entende-se que é através do estabelecimento correto dos limites que o sujeito pode desenvolver-se no sentido da cidadania. Entende-se que cidadania remete ao desenvolvimento do individuo no sentido de conquistar capacidade de transformação social e pessoal, levando em consideração os parâmetros da sociedade em que vive.

Com estas considerações entende-se que os limites, alem de mostrar as crianças o que podem e o que não podem fazer, o que devem e o que não devem fazer, ensinam como respeitar o próximo, facilitando a socialização e contribuindo para o desenvolvimento geral da subjetividade infantil.

O processo do estabelecimento de limites e o desenvolvimento da criança

Freud, em seu artigo “Os dois princípios do funcionamento mental” nos esclarece quanto estas questões. Descreve dois modos pelo qual o aparelho mental funciona. O primeiro é regido pelo principio do prazer / desprazer, o outro pelo principio da realidade. No primeiro modo o que predomina é a busca do prazer a qualquer custo, e este é conseguido através da descarga de qualquer aumento da tensão interna.

A criança irá desenvolvendo o principio da realidade conforme vai sendo confrontada com o mundo real, de maneira que o principio do prazer é predominante nos primórdios do desenvolvimento infantil. Faz parte desse começo esta forma indiscriminada de lidar com o mundo interno e com o mundo externo, com o que é fantasia e o que é realidade. A criança dá asas a sua onipotência pois não esta habituada a confrontar seu mundo de fantasias com a realidade e com os fatos. Se a criança esta com raiva do amigo, vai lá e empurra, chuta, bate ou morde. Dessa forma, se vê temporariamente livre do desconforto do aumento da tensão interna através deste tipo de descarga motora e corporal.

A linguagem e o pensamento são aquisições posteriores, que vêm com o desenvolvimento intelectual e sobre tudo emocional. Neste sentido podemos observar um movimento no desenvolvimento infantil com relação à expressão das emoções, que vai dos aspectos mais concretos e corporais para as formas mais abstratas e complexas que incluem a linguagem, a capacidade para a simbolização e para pensar.

Assim, inicialmente os processos psíquicos infantis caracterizam-se por vivências intensas e parciais em relação ao outro, que frustra e gratifica. Quando gratifica, o outro é amado, adorado e querido; No momento seguinte em que a criança é frustrada o outro passa a ser objeto de agressão, ódio e maldade.

A característica destas vivências é que a mudança de estado é brusca, pode ir de um extremo ao outro, da idealização ao ódio profundo ou vice-versa. Estas vivências fazem parte da vida mental de todos nós, quanto mais jovens e menos amadurecidos, mais intensas e extremas essas mudanças se apresentam.

Somente quando a criança percebe que a mãe, as pessoas e a realidade não são totalmente boas e nem totalmente más é que vão internalizando esses aspectos dentro de si. Desta forma as experiências emocionais gratificantes (boas) e as frustrantes (más) passam a coexistir dentro da criança e na sua relação com as pessoas e com o ambiente que a rodeia.

Esse processo é importante no desenvolvimento emocional e permite que a criança aceite melhor as adversidades e restrições do cotidiano, pois as frustrações deixam de ter um caráter tão terrivelmente ruim e na medida, passam a serem consideradas experiências boas. Surge também a culpa e o medo de perder o outro, a tendência a querer reparar o “mal”, que na sua fantasia a criança cometeu neste momento a preocupação da criança não esta mais tão centrada em si mesma, existe também uma preocupação genuína com o outro.

Por fim, é importante ressaltar que é característica da natureza do desejo que ele seja ilimitado, desmedido e impregnado por fantasias de tudo quere e tudo poder. Só com o desenvolvimento e com a ajuda do adulto é que a criança pode ir aprendendo a restringir certas vontades, a trocar uma coisa pela outra, a aceitar que existe uma hora para cada atividade e que mesmo que algo seja prazeroso, em certo momento pode precisar ser deixado de lado e substituído por outra coisa. À medida que irá crescendo é importante que também vá conquistando espaço de modo que possa gradualmente realizar sozinha algumas atividades e realizar trocas com o adulto á respeito do poder de decidir aspectos da sua vida.

Dar limites é...

ü Ensinar que os direitos são iguais para todos;

ü Ensinar que existem outras pessoas no mundo, e, por isso, os direitos das crianças acabam onde começam os direitos dos outros;

ü Dizer “sim” sempre que possível e “não” sempre que necessário;

ü Só dizer não aos filhos sempre que necessário;

ü Mostrar que muitas coisas podem ser feitas e outras não podem ser feitas;

ü Fazer a criança ver o mundo com uma conotação social (con-viver);

ü Ensinar a tolerar pequenas frustrações no presente para que, no futuro, os problemas da vida possam ser superados com equilíbrio e maturidade;

ü Desenvolver a capacidade de adiar satisfação;

ü Evitar que os filhos cresçam achando que todo mundo têm que satisfazer seus desejos;

ü Saber discernir entre o que é uma necessidade dos filhos e o que é apenas desejo;

ü Compreender que direito a privacidade não significa falta de cuidado, descaso, falta de acompanhamento e supervisão às atividades e atitudes dos filhos dentro e fora de casa;

ü Ensinar que cada direito corresponde a um dever, e

ü Dar o exemplo.

Como colocar a disciplina?

Fazendo com que a criança assuma as conseqüências de seus atos (positivos e negativos);

Com a mesma naturalidade e carinho que os pais elogiam seus filhos deve-se conversar e agir quando eles erram, explicando, apontando e fazendo com que reflitam sobre as atitudes incorretas, antiéticas, ou egocêntricas, com o cuidado de nunca relacionar uma atitude com as características pessoais, nunca como algo imutável no jeito de ser da pessoa. Se os pais relacionarem o fato específico a uma característica pessoal, de antemão a criança sentir-se-á derrotada, acreditando que, se ela é assim, será sempre assim, sem a possibilidade de mudar. Por outro lado, se o que ocorreu for apresentado como algo a ser revisto, um ato que pode ser mudado, tudo ficará mais fácil.

Para que a criança se responsabilize por seus atos, os pais devem dar aos filhos sinais de que determinadas atitudes não terão sua aprovação, e, devem deixar claro que serão responsáveis pelas conseqüências dessas.

Como fazer os filhos assumirem as conseqüências de seus atos?

ü Usando prêmios ou recompensas;

Atitudes socialmente aprovadas podem trazer grande prazer aos filhos. Lembrando que premiar é sempre melhor que castigar;

A aprendizagem ocorre quando a criança compreende porque errou e, especialmente, quando sente que pode refazer o caminho e acertar. O premio deve ser adequado à dimensão do ato é importante premiar sem exageros, com equilíbrio. Entendendo premiar que premiar não é obrigatoriamente “dar coisas materiais”. O carinho, um elogio sincero, o reconhecimento do esforço, a aprovação, fazem com que a criança tenha seu ego fortalecido, sua auto–estima elevada, e, a cada dia, sentirão mais prazer em agir de forma adequada. Elogiar, incentivar e ressaltar tudo de bom que a criança faz e não as queixas com a sensação de que não vale à pena fazer tudo certinho.

Alguns exemplos de prêmios:

ü Abraço;

ü Beijo;

ü Sorriso;

ü Elogio verbal;

ü Relato casual do fato positivo para outros membros da família;

ü Um bilhete afetuoso;

ü Uma saída para um jogo de futebol;

ü Fazer companhia a ela no fim de semana num programa que ela escolheu;

ü Convidar um ou dois amigos da criança para passar a tarde do sábado com ela.

Evite dar dinheiro ou presentes caros como premio por bom comportamento: isso cria expectativas altas em outras ocasiões que, quando não são concretizadas, podem levar a criança a avaliar se valeu a pena agir adequadamente.

ü Acredite que responsabilização através de regras e conseqüências pode ser necessária algumas vezes.

Deve ficar claro desde cedo para a criança, o que pode e o que não pode ser feito. Estabelecendo algumas regras, os pais já começam a delinear limites. Deve-se ter cuidado para não exagerar. Estabelecida uma regra, os pais não devem abrir mão. A não ser que percebam que se tornou inapropriada para a ocasião. Neste caso os pais devem comunicar a alteração e o motivo.

Se em uma dada situação a criança insistir em não cumprir o que foi previamente combinado, então será necessário que ela arque com as conseqüências de sua decisão. Assim se ensina responsabilidade. Em alguns casos, as regras e as conseqüências podem ser definidas junto da criança.

Toda conseqüência ou responsabilização deve ser adequada, isto é, para pequenos deslizes, pequenas conseqüências, para atos mais graves conseqüências mais sérias. Premiar atitudes positivas é tão importante quanto deixar de corrigir erros.

ü Premiar o responsabilizar sempre com justiça, sem exagerar nos prêmios ou conseqüências.

Necessidades e desejos

Para ter segurança, em se tratando de dar limites, é fundamental distinguir entre necessidades e desejos dos filhos.

Necessidade é algo inevitável, algo que, se não atendido, pode levar a criança a ter problemas sérios no seu desenvolvimento, seja físico, seja intelectual ou emocional.

Desejo é vontade de possuir algo, de realizar algo que pode ou não ser importante para o desenvolvimento, mas esta vinculada ao prazer.

Os pais devem trabalhar no sentido de que os filhos tenham atendidas as suas necessidades.

Compreendendo a diferença entre necessidade e desejo fica mais fácil par os pais quando devem e não devem atender os filhos.

Alguns exemplos:

Necessidades

ü Comer quando está faminto;

ü Beber quando esta com fome;

ü Brincar.

Desejos

ü Comer chocolate em vez de almoçar;

ü Beber apenas refrigerante;

ü Brincar com o aparelho de som do papai.

Alguns desejos poderão ser atendidos, mas os pais deveram analisar se devem ou não sob certos critérios, como se ira favorecer o desenvolvimento da criança, se não irá desrespeitar o outro, etc.

Como não perder a autoridade ao disciplinar?

Muitos acreditam que dar limites exige uma postura autoritária, de controle total. Mas essa afirmativa não corresponde à realidade.

Autoritário é aquele que exerce o poder utilisando como referencial apenas o seu ponto de vista, a força física ou o poder que lhe confere sua posição ou o cargo que ocupa, nunca levando em conta o que o outro deseja e pensa.

Por outro lado o pai que tem autoridade ouve e respeita o filho, mas às vezes age com mais firmeza com o objetivo do bem- estar do filho, de protegê-lo e orientá-lo em direção a cidadania.

Os pais devem cumprir o que disseram (seja prêmio ou conseqüência), devem ser coerentes, devem fazer com que seus filhos gradualmente assumam responsabilidade e devem ter cuidado com o que dizem e com o modo que dizem (criticar a ato não a pessoa ou sua personalidade, tratar apenas o assunto que se esta analisando naquele momento, não ficar “com pena” se a criança ficar triste ou chorar). Deve dizer qual a punição a ser dada para cada limite ultrapassado e não deixar de executa - lá.

Os pais devem se lembrar que, quando necessário, embora com autoridade e autoritariamente, a ultima palavra - deve se claro para os filhos - será a dos pais; a necessidade de hierarquia. É possível atingir os propósitos educacionais sem autoritarismo, mas com limites, amor, carinho, atenção e segurança.

Responsabilidades do adulto

Se os pais querem que seus filhos os respeitem e respeitem ao outro, os pais têm que começar respeitando os filhos, porque o exemplo é a melhor maneira de educar. Por isso é importante que os pais tenham regras para si próprios e as sigam ao se relacionarem com seus filhos. Para que a criança aprenda convivendo com o adulto, observando seus comportamentos (o olhar conta muito).

Os pais devem ter normas coerentes de disciplina, que sejam justas com a forma de viver de todos os componentes da família. É importante enunciar estas normas especificamente e com clareza.

Desta maneira, para dar limites os pais tem, também eles, que ter limites. Os pais não devem violar regras, isso também é falta de limites, e, os filhos estão permanentemente aprendendo com os pais, A criança aprende seu papel com os adultos que convive. Aprende observando como estes reagem frente a situações do cotidiano e relacionando-se como os mesmos.

Deve-se pensar que a todo o momento nossos atos estão ensinando á criança como se comportar perante uma determinada situação. Desta forma, mais importante que nossa fala é o nosso comportamento. O comportamento é uma linguagem não verbal. E como tal, é capaz de transmitir mensagens.

A criança entende esta linguagem e fica confusa quando falamos uma coisa e aparentamos ou fazemos outra. Ela pode seguir as orientações que passamos através da linguagem não verbal e freqüentemente pensamos que ela não está “nos dando ouvidos” Além disto, também é preciso entender que durante o processo de aprendizagem continua a criança irá testar diversas maneiras de reagir de acordo com o que observa em várias pessoas do seu relacionamento.

Por estes motivos a criança constantemente é entendida como alguém que fere os limites estabelecidos. Realmente, quando pensamos a partir deste olhar do desenvolvimento, a criança não possui os limites bem definidos, até porque necessita-se de um período para que se possa internalizar vários modelos e regras.

Portanto, cabe a todo adulto que convive com a criança procura saber lidar com um individuo em formação que necessita de adultos que possam passar modelos coerentes sobre como posicionar-se frente as mais variadas situações. Desta forma a criança irá aprender mais facilmente os limites das suas ações, e também suas possibilidades, em cada contexto.

Atitudes que revelam dificuldades em se dar limites.

1. Insistência – “Filho vão tomar banho, filho vai tomar banho, filho vai tomar banho...”

2. Perder a paciência e agredir – Dando assim um modelo autoritarismo, de desigualdade de condições, de covardia, de violência.

3. Nada fazer, ignorar – continuar lendo seu jornal enquanto a criança sobe em cima do sofá, da mesa... Fornecendo assim um modelo de abandono.

4. Explicações exageradas – “Mãe, porque eu preciso escovar os dentes? Você precisa escová-los porque senão virão umas bactérias e comerão o resíduo alimentar, formarão uma placa chamada bacteriana, fazendo um buraco que é a carie, você sentirá dor e teremos que ir ao dentista que irá obturar o dente”. As explicações são importantes, mas devem ser dadas com simplicidade, objetividade na medida da curiosidade do outro.

5. Zanga prolongada – A pessoa que é autoridade zanga com a criança por fazer que não deveria. Periodicamente, volta ao assunto mesmo que ele não esteja no contexto, fazendo assim uso da situação para que a criança se sinta culpada pelo feito, vitimando a autoridade.

6. Nomear atividades utilizando-os de situações que provoquem medo de “frear” a criança ou passar a responsabilidade para o outro – “O homem do saco vai te pegar”; “Quando seu pai chegar você vai ver”; “Resolve isto com sua mãe e me deixa ver televisão”, etc...; O conflito de cada relação deve ser resolvido no âmbito desta.

7. Chantagear- “se você tomar a injeção eu te dou um sorvete”. Fortalecendo a insegurança da criança, reconhecendo que aquilo que ela se submeterá é tão insuportável, que ela não tem estrutura para lidar e precisa ser aliviada. Quem ocupa o papel de comando não consegue segurar a “rédea” da situação. Desta forma, a criança não tem dimensão real da dor, nem se fortalece conhecendo suas possibilidades e potencialidades para lidar com a situação e, sente que a autoridade não ocupa seu espaço, por tanto o “trono” está vazio e pode ser ocupado. Abre caminho também para que a criança utilize a chantagem para obter aquilo que deseja. A criança pode ser confrontada, sentir que o outro está junto com ela, não negando-a, nem subestimando ou supervalorizando. Assim sendo, sente-se cuidada.

8. Ameaçar o filho com a perda do amor ou abandono - "Vou embora e vou deixar você ai, vai ficar sozinho". Nada mais cruel e danoso só para a criança que faz de tudo para obter o amor dos pais e sentir-se valorizado.

9. Comparações ou comentários negativos na presença de outros - "O filho do fulano não esta chorando...” Reforça a menos valia e insegurança da criança uma vez que alem da pessoa não ser da pessoa não ser clara no comentário (eu gostaria que você fosse ou estivesse quieta como o filho do fulano), faz com que a criança sinta-se não aceita, desconsiderada na sua percepção e muitas vezes sem condições de defender-se. O ser claro no contrário faz com que a responsabilidade da situação volte para a relação de conflito.

DAR LIMITES NÃO É...

ü Bater nos filhos para que eles se comportem;

ü Fazer o que os pais querem ou estão com vontade de fazer;

ü Ser autoritário - dar ordens sem explicar o porquê, agir de acordo apenas com seu próprio interesse;

ü Deixar de explicar o "porque" das coisas, impondo a lei do mais forte;

ü Gritar comas crianças para ser atendido;

ü Deixar de atender as necessidades dos filhos porque você esta cansado;

ü Invadir a privacidade;

ü Provocar dificuldades emocionais ( O não tem que ter razão de ser e não pode ser acompanhado de agressões físicas ou morais – o que provoca problemas emocionais é a falta de amor e carinho, seguida de injustiça, violência física, humilhações e desrespeito com a criança);


COMO AGIR?

ü Não coloque limites conforme seus desejos pessoais;

ü Demonstre que você e os demais adultos também têm limites a respeitar;

ü De punições brandas para atitudes brandas e punições pesadas para

atitudes pesadas;

ü Deixe claro que a punição é pelo ato e não pela pessoa;

ü Justifique os motivos do limite. "Não faca isso porque não quero ou não gosto" não é justificativa;

ü Repita quantas vezes for necessário;

ü Use sua autoridade sem provocar submissão e mal estar;

Por todas estas considerações entendemos que os limites marcam a realidade de cada relação e estrutura social, ajudando a criança a compreender e introjetar valores. Devemos lembrar que a construção do limite faz parte do processo de formação do individuo e deste modo não pode ser realizado da noite para o dia. Lidar com a criança exige este entendimento para que se possa ser justo nas exigências e paciente, o que é diferente de aceitar qualquer comportamento dela. Cabe ainda colocar que em todo processo educativo a afetividade precisa estar presente.

LUTO


A perda é uma experiência da universal da existência Humana, pois acomete com todas as pessoas durante vários momentos da vida. A perda pode estar relacionada a um objeto ( um caro roubado ou um objeto quebrado) á constatação da impossibilidade de um objetivo traçado, a perda de um ente querido (por distância, termino de um relacionamento ou por morte). O que é comum entre todos estes acontecimentos para se caracterizar o luto é a dificuldade de tolerar o que foi perdido.

É consenso que a perda por morte é a mais difícil das perdas. A morte nos remete ao sentimento de impossibilidade de reverter à perda, ou seja, reaver o ente querido, nos coloca frente a nossa própria fragilidade e exigi do enlutado experienciar uma dor quase insuportável. Talvez por tudo isso a morte ainda seja um tabu. Entretanto negar a morte torna mais difícil a experiência do luto, pra quem esta vivendo esse momento de tão grande sofrimento. Há um especial interesse no luto por suicídio e aqui vou tentar discorrer vários aspectos relevantes para a compreensão do assunto discutindo os principais determinantes do luto, especialmente no suicídio.

O suicídio de uma pessoa é um fato rondado de mistério, mito, curiosidade, e acima de tudo, a sensação de que algo incompreensível acometia aquela pessoa. O enlutado na compreende e tenta buscar as motivações do ente querido para tal ato, sente-se culpado com raiva , enfim, se vê em um estado impactante. Parece haver uma maior dificuldade de aceitação da morte, se esta é buscada pela própria mão do morto. Sendo esse o principal diferencial entre as mortes de suicídio e outras mortes. Apesar do suicídio constituir um ato súbito costuma haver sinais (presença de risco). O Suicídio geralmente é percebido por depressões graves, ocorrência de eventos estressantes, sinais de alerta (tentativas anteriores).

Aos entes que ficam apresentam reações especificas deste modo de morte como vergonha, alivio, culpa e a sensação de ter sido abandonado e ou rejeitado.

Aqui não poderia deixar de falar o que não quer calar. Agradeço minha mãe pelo que foi e o que me ensinou durante os 33 anos que esteve ao meu lado. Buscar a compreensão de suas ações será inútil e penoso uma vez que ela não esta mais entre os vivos. Se há algo a ser compreendido, é que cada um de nós somos responsáveis por nossas ações e devemos respeitar as escolhas individuais por mais difícil e impactante que ela seja.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

DEPRESSÃO


O QUE É DEPRESSÃO?

A depressão é uma doença "do corpo como um todo", que compromete seu corpo, humor e pensamento. Ela afeta a forma como você se alimenta e dorme, como se sente em relação a si próprio e como pensa sobre as coisas.
Uma doença depressiva não é uma "fossa" ou um "baixo astral" passageiro. Também não é sinal de fraqueza ou uma condição que possa ser superada apenas pela vontade ou com esforço.
As pessoas com doença depressiva (estima-se que 8% das pessoas adultas sofram de uma doença depressiva em algum período da vida) não podem simplesmente recompor-se e melhorar por conta própria. Sem tratamento, os sintomas podem durar semanas, meses ou anos. O tratamento adequado, entretanto, pode ajudar a maioria das pessoas que sofrem de depressão.

TIPOS DE DEPRESSÃO

As doenças depressivas manifestam-se de diversas maneiras, da mesma forma que outras doenças, como, por exemplo, as do coração. Descreveremos três dos tipos mais freqüentes de doenças depressivas. Entretanto, dentro deles, ocorrem variações quanto ao número, gravidade e duração dos sintomas.
A depressão maior caracteriza-se por uma combinação de sintomas que interferem na capacidade de trabalhar, dormir, alimentar-se e desfrutar de atividades anteriormente consideradas agradáveis pela pessoa. Estes episódios depressivos incapacitantes podem ocorrer uma duas ou várias vezes durante a vida.
Um tipo menos grave de depressão é a distimia, que envolve sintomas crônicos e prolongados, não tão incapacitantes, mas que impedem a sua plena capacidade de ação ou que você se sintabem. Às vezes, pessoas com distimia apresentam também, episódios de depressão maior.
Outro tipo é o distúrbio bipolar, antigamente denominado doença maníaco-depressiva. Não é tão freqüente quanto as outras formas de doenças depressivas. Caracteriza-se por ciclos de depressão e euforia ou mania. Estas oscilações de humor, em geral, ocorrem gradualmente; porém,, às vezes, são abruptas e acentuadas. Tanto no ciclo depressivo, quanto no ciclo maníaco, você pode apresentar alguns ou todos os sintomas correspondentes a cada um desses ciclos, relacionados no tópico seguinte. A mania, em geral, afeta o pensamento, o julgamento (senso crítico) e o comportamento social, causando graves problemas e constrangimentos. por exemplo, uma pessoa em fase de mania pode tomar decisões profissionais ou financeiras insensatas. O distúrbio bipolar freqúentemente é uma condição crônica recorrente (ocorre repetidamente).

SINTOMAS DE DEPRESSÃO E MANIA

Nem todas as pessoas com depressão apresentam todos os sintomas relacionados a seguir. Algumas apresentam poucos, outras, muitos. A gravidade dos sintomas também varia de indivíduo para indivíduo.

DEPRESSÃO

· Tristeza persistente, ansiedade ou sensação de vazio· Sentimentos de desesperança, pessimismo
· Sentimentos de culpa, inutilidade, desamparo
· Perda do interesse ou prazer em passatempos e atividades que anteriormente causavam prazer, incluindo a atividade sexual
· Insônia, despertar matinal precoce ou sonolência excessiva
· Perda de apetite e/ou de peso, ou excesso de apetite e ganho de peso
· Diminuição da energia; fadiga, sensação de desânimo
· Idéias de morte ou suicídio; tentativas de suicídio
· Inquietação, irritabilidade
· Dificuldade para concentrar-se, recordar e tomar decisões
· Sintomas físicos e persistentes que não respondem a tratamento; por exemplo: dor de cabeça, distúrbios digestivos e dor crônica

MANIA
· Euforia inadequada· Irritabilidade inadequada
· Insônia grave
· Idéias de grandeza
· Aumento do discurso (tagarelice)
· Pensamentos desconexos ou muito rápidos
· Aumento do interesse sexual
· Aumento acentuado da energia
· Redução do senso crítico
· Comportamento social inadequado